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EU USO MACONHA COMO REMÉDIO

“EU USO MACONHA COMO REMÉDIO”

Alexandre Thomaz, 44 – Publicitário – Canoas (RS)

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(Gustavo Schramm Roth)

“Aos 33 anos, recebi o diagnóstico bombástico: tinha um câncer no pescoço. Fiz uma cirurgia na semana seguinte e comecei a quimioterapia. Seriam oito sessões, e depois 25 de quimioterapia. Na segunda sessão, começou a cair o cabelo e vieram enjoos fortes. Na sexta, eu já vomitei antes de colocar o catéter com a medicação. Como eu não suportava, os médicos resolveram interromper a quimio. Na radioterapia, perdi todo o paladar, não conseguia me alimentar direito. Foi quando tive a ideia de tentar a maconha e perguntei ao oncologista. Ele disse que não podia prescrever, que em países de primeiro mundo usam mesmo cannabis para atenuar esses sintomas. Já tinha fumado algumas vezes, mas esse tempo passou. Procurei amigos que ainda fumavam e comecei esse tratamento paralelo. Logo percebi mudanças: comecei a me alimentar melhor, dormia melhor, gradualmente até minha autoestima melhorou. Então decidi plantar no meu sítio sementes importadas, indicadas para uso medicinal. Era tão mais limpa que passei a fumar menos e comecei a usar em chás, bolos e outras receitas. Um dia, sem mandato e na minha ausência, a policía arrombou as portas e revirou minha propriedade. Não acharam armas nem dinheiro, mas roubaram coisas minhas e levaram os dez pés da maconha que aliviava meus síntomas. O delegado denunciou os policiais por abuso de autoridade. O Ministério Público não levou a acusação em frente, alegando que eles estavam cumprindo sua função, mas me indiciou por tráfico. O tratamento deu certo: segundo meus médicos, as chances de o câncer voltar são mínimas. Mas ainda respondo processo e posso acabar preso. Se a Constituição Federal diz que todo ser humano tem direito à dignidade, fico me perguntando por que o Estado, que deveria cuidar do meu bem-estar, é justamente quem me pune.”


Gilberto Castro, 40 – Designer – São Paulo (SP)

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(Rafael Jacinto)

“Tenho esclerose múltipla, uma doença sem cura e progressiva. Tudo o que a medicina sabe, atualmente, é prolongar o tempo de vida de quem tem essa enfermidade. Eu estou no grau 4 da doença, de uma escala que vai até 10, quando o paciente está morto. Os médicos não chegam a falar em morte comigo, mas consideram que mais cedo ou mais tarde eu fique acamado. Quando recebi o diagnóstico, me disseram que isso aconteceria em dez anos, no máximo. Mas isso já faz 15 anos e sigo bem. Para os médicos, eu sou “ganhador da Sena”. Para mim, se estou assim, é por causa da maconha. Comecei a usar pouco depois de descobrir a doença, em 1999. Em uma consulta, depois de relatar o que sentia, o médico virou para mim em voz baixa e disse: “Se você fumar um baseadinho vai ajudar”. Desde então, faço o que se faz em vários lugares do mundo, mas é proibido no Brasil. E não sou o único: conheço muita gente que também recebeu a recomendação dos médicos para fazê-lo, “por baixo dos panos”, claro. Os sintomas mais comuns que sinto são dormência, choques, sensação de quente-frio, cansaço e formigamento. Tudo isso melhora quando uso maconha. Os choques e espasmos praticamente desaparecem e as dores caem pela metade. Nas duas vezes em que passei períodos prolongados sem maconha, os sintomas progrediram rapidamente. Parece que a cannabis foi feita para a esclerose múltipla. É impressionante: assim que você fuma, a paz volta. Tem muito paciente de esclerose múltipla que não sabe disso e está na cama, desesperado, sem saber o que fazer. Fico pensando: A maconha é só uma planta. Não pode ter uma planta em casa?”


Maria Antonia Goulart, 65 – Artista plástica – São Paulo (SP)

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(Rafael Jacinto)

“Abril de 2007. Nessa data comecei uma luta para viver. Foi quando soube que teria de fazer quimioterapia, radioterapia e cirurgia para tratar um câncer. Foi também quando comecei a usar maconha medicinal. Ao pedir aos médicos, não encontrei resistência. Eles não podem receitar, mas apoiaram. Só pediram que não abandonasse o tratamento convencional, e foi o que fiz. Minha diferença para os outros pacientes logo tornou-se visível. Eu comia melhor, dormia melhor, meu humor era melhor e minhas dores eram bem menores. O problema foi quando fiz a cirurgia. Nesse período, fiquei 15 dias internada e não pude usar a erva. Sentia dores muito fortes, que os médicos tentavam controlar com morfina, não tinha apetite e o soro que me injetavam machucava ainda mais minhas veias, frágeis por causa da quimioterapia. Após o tratamento contra o câncer, parei de usar maconha. Mas dois anos depois comecei a sentir uma dor insuportável. Tinha fibromialgia. Propuseram o tratamento com antidepressivos, vitaminas e analgésicos muito fortes. Comecei seguindo-o, mas os efeitos colaterais estavam me fazendo tão mal que resolvi tentar a maconha mais uma vez. De novo, consegui dormir melhor e os sintomas amenizaram muito. Com acompanhamento médico, aos poucos parei com os outros remédios e fiquei só com a planta. Os problemas para conseguir a maconha seguem. Tenho muito medo de ficar sem ela e ter de voltar ao tratamento convencional e aos seus efeitos colaterais. Sei que é proibido, mas minhas dores são maiores do que a lei.”


Marco Antônio, 26 – Comerciante – Governador Valadares (MG)

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“A maconha me beneficia duplamente, pois tenho doença de Crohn, uma inflamação crônica do intestino, e epilepsia. Chegava a ter até quatro crises epiléticas num único dia, com desmaios e convulsões. Em 2011, cheguei a ter uma parada cardíaca. Com a maconha, elas quase acabaram – em 2013, tive apenas uma crise. Mas o efeito é bem maior na doença de Crohn. Quando ela surgiu, há quatro anos, cheguei a perder 20 quilos. Tinha muitas dores abdominais, diarreia, fadiga extrema, dores nas articulações, febre e falta de apetite. Um dia antes do vestibular, acabei internado. Não tinha mais condição nenhuma de trabalhar ou estudar. Passei 40 dias no hospital e por duas cirurgias para colocar uma bolsa no meu intestino. Usava maconha de vez em quando desde os 16 anos e quando descobri a doença decidi parar de fumar, com medo de piorar. Qual não foi minha surpresa quando busquei o assunto na internet e vi que ela era um tratamento indicado para a doença que eu tinha! O uso regular me fez melhorar muito. Meu médico sabe e acompanha os resultados: há quase dois anos não sou internado e a doença de Chron está em remissão. Voltei a trabalhar, tenho um emprego de meio período na parte da tarde, e voltei a ter uma vida social. Antes não saía de casa com vergonha de que os outros não entendessem minha doença. Tomava três tipos de antidepressivos e agora não uso mais nenhum. Quando descobri que a cannabis me ajudava, fiquei muito feliz. Mas isso não passa na mídia, e nem todo mundo que tem minha doença vai ter essa mesma descoberta.”



Katiele Bortoli Fischer, 33, mãe da Anny, 5 – Portadora da síndrome de CDKL5 – Brasília (DF)

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(Celso Junior)

“Minha filha Anny teve a primeira convulsão com 45 dias e logo passou a ter dezenas de crises por semana. Só conseguimos um diagnóstico da síndrome de CDKL5 quando ela tinha 4 anos. Mas nenhuma medicação funcionava e ela teve um atraso cognitivo. Só conseguiu andar com 3 anos e balbuciava algumas palavras. Com 4 anos, ela piorou e voltou a ser um bebê. Parou de andar, de sentar, de fazer sons. A cada crise, ela pode aspirar vômito e pegar uma pneumonia. Então é risco o tempo todo. Às vezes, a crise não para e vamos ao hospital para ela ser sedada. Quando conseguimos o diagnóstico, pesquisamos na internet e descobrimos um grupo de pais de crianças com a doença. Um americano disse que sua filha tinha melhorado com um extrato de maconha com canabidiol (CBD). A gente já tinha tentado de tudo, todas as combinações existentes de remédio para a epilepsia, com efeitos colaterais horríveis. Fizemos até uma cirurgia no cérebro, e nada funcionou. Então compramos o produto de uma empresa nos EUA. É uma pasta, sem o negócio que dá barato, e ela toma uma vez por dia. Há dois meses, quando começamos, minha filha tinha 60 convulsões por semana. Semana passada, teve três. É uma coisa milagrosa. Ela está esperta, fazendo sons, movimentos com braços e pernas. Ficamos surpresos. A imagem que a gente tinha da maconha era essa da Globo, de morro e traficante. Ninguém pensa que pode ser algo medicinal. Quando soube do CBD falei: “Será?” Mas aprendemos muito, não temos mais preconceito. É emocionante, impressionante, surpreendente. Quando você encontra algo que faz efeito, você coloca isso no seu coração, na sua alma. Quando dá certo é um alívio muito intenso. Estamos passando por um momento muito feliz, porque o CBD trouxe uma qualidade de vida para a Anny que ela não tinha há muito tempo. Isso mudou a nossa vida.”

 


PARA QUÊ SERVE?

As aplicações da maconha medicinal podem ser divididas em três níveis, segundo a qualidade das evidências disponíveis em cada caso.

Tarja Verde

Nível A

Recomendação baseada em consistentes evidências científicas, com testes em pacientes.

Náusea e vômito, anorexia e perda de peso, dor neuropática, fibromialgia, espasmos causados por esclerose múltipla ou lesão da medula, síndrome de Tourette, dor em decorrência do câncer e de seu tratamento.

Nível B

Recomendação baseada em evidências científicas limitadas, com testes em pacientes.

Dor pós-operatória ou causada por processos inflamatórios, como doença de Chron, asma, glaucoma e epilepsia.

Nível C

Recomendação baseada em consenso médico ou pela prática clínica, sem testes em humanos.

Gliobastomas (tipo de câncer de cérebro), controle das alterações causadas pelo Alzheimer.


 

FARMÁCIA CANÁBICA 

Existem diferentes formas de acesso à cannabis medicinal. Todas que contêm THC podem ter efeito psicoativo

Tarja Verde

Sativex® (Nabiximol)

Extrato natural de maconha em spray, para uso oral e nasal. Dos medicamentos aprovados, é o único com todas as substâncias da planta. Sua formulação permite a administração da mesma proporção de THC e CBD.

Onde: Venda aprovada em 24 países para alívio de sintomas da esclerose múltipla.

 

Marinol® (Dronabinol)

Remédio em cápsulas com THC sintético.

Onde: Nos EUA, para pacientes em quimioterapia e para anorexia em pacientes de aids.

 

Cesamet® (Nabilona)

Remédio em cápsulas com nabilona, molécula sintética similar ao THC. Sua eficácia é menor que a dos canabinoides naturais.

Onde: Aprovado no Canadá (desde 1985) e nos EUA (2006), para náusea e vômito em pacientes de quimioterapia.

 

Maconha em Estado Natural

Flores da planta fêmea da cannabis, rica em canabinoides. Dependendo da variedade, ela pode conter mais THC, mais CBD ou um equilíbrio de ambos. Fumada ou vaporizada (inalada sem combustão com instrumento adequado) produz efeito imediato.

Onde: Nos programas medicinais do Canadá, de Israel e da Holanda, e nos vários Estados norte-americanos com uso medicinal regulado.

 

Extratos e Alimentos

Concentrados de um ou mais canabinoides estão disponíveis em soluções, óleos ou pastas, para consumo via oral, vaporização ou adicionados em alimentos. Produtos com CBD, apenas, não causam efeito psicoativo.

Onde: Em Israel e nos Estados dos EUA que autorizam o uso medicinal.


Para Saber mais Sobre Cannabis Medicinal ACESSE: http://tarjaverde.com/index.php?route=blog/article&article_id=16

Por Tarso Araújo

Fonte: https://super.abril.com.br/saude/tarja-verde/